Madeira do Avesso

Madeira do Avesso

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Fogo amigo também mata

Em Janeiro passado, quando ocorreu o congresso do PS-M, tive a oportunidade de conversar com o Bernardo Trindade. Nessa data, Bernardo dizia que estaria em funções em Lisboa, até acabar o hotel do grupo para o qual trabalha e que previa abrir no final do ano. A partir dessa data estaria disponível para se dedicar mais ao PS-M e colaborar com a direcção que saísse desse congresso.

Não ouvi da boca dele, quer fosse a título pessoal ou no púlpito, qualquer crítica a Victor Freitas e à sua estratégia enquanto líder, desde Janeiro de 2012. 

Não ouvi da boca dele, nem de muitos outros que hoje dizem nos jornais o que escondem nos órgãos internos. A isto chamo covardia, a isto chamo falta de carácter. A isto chamo oportunismo!

Lembro-me de ver a cara de Bernardo Trindade por diversas vezes em cartazes espalhados pela nossa cidade e lembro-me também dos resultados eleitorais desses embates. Uma desgraça!

Mas vou contar um outro episódio mais antigo deste militante do PS, especialista em dividir e em dar cabo de trabalhos feitos por outros.
Nas eleições regionais do ano 2000, Bernardo Trindade foi eleito deputado pelo PS-M à Assembleia Regional. Juntamente com ele foi também eleito o meu Pai, Duarte Caldeira. Logo no início do mandato foi o líder parlamentar eleito pelo grupo. Nessa época o meu Pai ainda ofereceu o lugar a Bernardo Trindade, tendo este recusado.
Durante 3 anos o grupo manteve-se coeso, trabalharam em conjunto, e muito conseguiram para a Madeira através do Governo da República, na altura liderado por Guterres.
Ao fim de 3 anos, Bernardo começou a movimentar-se nos bastidores e já com o trabalho feito, apresenta-se como candidato à liderança do Grupo Parlamentar do PS (último ano de mandato!), e conseguiu assim dividir um grupo que foi coeso quase até ao fim. 

Agora, perante um PS-M coeso, eis que surge como o desestabilizador. Andará a prometer mundos e fundos a todos os que surgirem pela frente! Enfim, nada de novo na atitude de Bernardo.

Agora munido das baterias Costistas, pede ajuda ao amigo Açoreano, que não deve ter mais nada do que faça que não seja meter-se na vida dos outros. Pergunto a este ilustre Açoreano, se quando foi eleito Presidente do Governo Regional do Açores, reunia alguma das condicionantes que agora aponta como necessárias? Foi um político de carreira, sem percurso empresarial e que conheça, sem conhecimento de finanças públicas de facto. E que se saiba, pelo menos aqui do arquipélago vizinho, desempenhou bem as suas funções, deixando um bom legado.


Caros amigos, equipa que vence não se mexe. Um ditado antigo e verdadeiro.

Por um lado temos um novo candidato que agora se apresenta e que na sua carreira enquanto candidato (relembro também que estava nos cartazes das Regionais de 2011 quando o PS-M passou a 3ª força politica na região) pouco deu a ganhar ao partido, por outro, temos um líder que ganhou 2 congressos legitimamente, traçou uma estratégia vencedora  para as eleições autárquicas, conseguiu reduzir a diferença nas últimas eleições europeias de 46% para 8 % (apesar do efeito Marinho Pinto e da crise na CMF), para a aliança de direita. No Funchal, nessas mesmas europeias, o PS-M ficou apenas a 2% da coligação PSD-CDS (ou seja podemos afirmar claramente que ganharia ao PSD isolado pois o CDS representa mais de 2%).

Não tenho dúvidas, todo o meu apoio vai para Victor Freitas, líder eleito em congresso, grande estratega, que soube abrir o Partido à sociedade, criou um espírito de vitória que não me lembro de existir no PS-M. Rodeou-se de pessoas de diferentes áreas e está mais que preparado para os combates que se avizinham. Ganhar as eleições regionais, ganhar as eleições legislativas nacionais. O fogo amigo faz moça, mas a vontade de vencer estará acima de todas as contrariedades que surgirem no caminho.


Acabo com uma frase de Bernardo Trindade ao Diário de Notícias do passado dia 30 de Agosto

"Tudo na vida é um processo. E o PS tem de estar disponível para continuá-lo"

Pois é Bernardo, estás disponível para (continuar) a apoiar o processo iniciado em 2012 e que deverá concluir nas eleições regionais de 2015? É que caso andasses distraído no último congresso, o processo iniciado foi precisamente esse.

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