Madeira do Avesso

Madeira do Avesso

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Porque voto Seguro



Há 3 anos atrás, após a derrota do PS nas Legislativas de 2011, Seguro e Assis disputaram a liderança do PS, saindo vencedor Seguro. 
Apesar do péssimo resultado eleitoral nessas legislativas, mais ninguém além destes 2 ilustres Socialistas sentiram que tinham o dever de contribuir para a recuperação do seu partido.
Uma recuperação penosa após a assinatura do memorando da troika, que mesmo tendo o governo actual desvirtuado as linhas desse documento, nunca o PS deixou de estar associado a esse momento. 


Responsabilizaram o PS pelo estado a que chegou o País (e na verdade era quem comandava), ignorando por completo a conjuntura europeia que afectou de forma dramática todos os países do sul da Europa.
Com acusações de todos os partidos e com uma fraca imagem perante a opinião pública, o PS lá começou a subir o caminho das pedras, tendo Seguro traçado uma estratégia, onde falar a verdade era um dos seus pilares. 

Com as suas ideias para o país, muitas vezes ignorado pela coligação que chefia Portugal, Seguro volta e meia era chamado a consensos com o governo, numa tentativa de colar o PS aos atropelos permanentes a esse memorando. Nunca o PS de Seguro traiu os seus princípios nem os seus compromissos, manteve-se fiel à sua ideologia e ao caminho traçado por Seguro. Não entrou em populismos nem em demagogias baratas que tantos votos dão (vejam o caso do CDS). Talvez por isso mesmo não tenha tido uma subida meteórica que muitos queriam (independentemente dos princípios).

Chegado o primeiro embate eleitoral de Seguro, o PS tem uma grande vitória nas eleições autárquicas, recuperando a liderança da Associação de Municípios, perdida desde as autárquicas que provocaram a demissão de António Guterres. A estratégia seguida por Seguro, não só permitiu essa vitória eleitoral, como permitiu que o PS-M definisse a estratégia que mudou as cores do mapa da Madeira.
8 Meses após as autárquicas, novamente eleições, desta vez europeias e novamente uma vitória do Partido Socialista. Não foi a grande vitória ambicionada, mas é preciso novamente enquadrar os resultados. Quase todos os partidos socialistas europeus tiveram quedas vertiginosas, tendo o PS segurado uma vitória, contra uma coligação de direita. Esta coligação de direita teve a maior derrota da sua história. Houve também o fenómeno Marinho Pinto (é certo que os partidos têm de estar preparados para estas situações) que após uma sondagem em que dava a possibilidade da sua eleições, começou a haver uma concentração de votos com o intuito de eleger essa figura populista e demagógica que nada acrescenta à nossa democracia.
Ou seja Seguro desde que foi eleito Secretário Geral nunca perdeu eleições, nem nunca esteve perto de perder.

Sem dar sequer tempo para analisar os resultados eleitorais com calma, eis que surge António Costa a exigir a cabeça de Seguro. Ameaçou ir a congresso um ano antes, mas como viu que a conjuntura interna não lhe era favorável, como havia ainda resquícios do último mandato do PS na opinião pública, cobardemente recuou e comprometeu-se com Seguro, assinando documentos conjuntos. Um ano após, rasga esse compromisso, e enfrenta Seguro apenas por que sentiu que o partido precisava dele (volto a questionar e há 3 anos atrás após a derrota eleitoral o partido não precisaria dele?). Desafia a liderança porque sabe que troika já saiu do país, porque sabe que agora é mais fácil de fazer oposição, apesar de demagogicamente dizer o contrário.

Sobre pressão, Seguro resiste a um congresso antecipado e marca eleições primárias.
Com este processo ficou claro que o PS é realmente um grande partido, 145.000 inscritos, não militantes. A sociedade precisa do PS e quer o PS. 

Com a disputa facilmente começou-se a perceber que Costa tem um discurso oco, vazio. À semelhança do PSD-M pede que os militantes e simpatizantes assinem um cheque em branco. No último debate disse claramente que ia agora a eleições e que só daqui a algum tempo apresentará as suas linhas orientadoras. Nesse mesmo debate (que diga-se, não foi bom para o PS) ouviu-se diversas propostas da parte de Seguro e o que Costa pensava sobre elas. Houve consenso em algumas e claras divergências noutras, mas até aqui tudo normal, o que de anormal se passou foi que da parte de Costa novamente nada se ouviu, nenhuma ideia sua. Um vazio, o tal pedido do cheque em branco.

Numa época em que deveríamos estar concentrados no combate às políticas de direita, quando deveria de haver união, com as suspeitas que agora recaem sobre o Primeiro Ministro, está o PS envolto numa disputa eleitoral desnecessária, fora de tempo.

Relativamente à região, sei que Seguro conhece bem as nossas dificuldades, provocadas por décadas de Jardinismo, que sufocaram os madeirenses, com base num falso desenvolvimento do betão, onde não se criou condições para uma sociedade estável e sustentável. Seguro já por diversas vezes se comprometeu a ajudar a região caso seja Primeiro Ministro. Não voltará as costas, nem ignorará os madeirenses. Sei que podemos contar com ele. Apesar de nunca ter ouvido uma palavra de Costa sobre a região sei que também não desiludirá os madeirenses dando o apoio que necessitamos caso seja ele o escolhido.
Quero também salientar que a Madeira voltou a ter uma Eurodeputada eleita pelas listas do Partido Socialista, pela primeira vez numa posição claramente elegível e que Seguro em apenas 3 anos de liderança, foi o Secretário Geral que mais vezes veio à Madeira.

Voto Seguro, sei que é o melhor e que fará a diferença. Sei que fará política com seriedade, com compromisso. Com Seguro o país iniciará uma nova realidade política, sem lobbies, sem haver misturas entre a política e os negócios, uma governação virada para as pessoas, na defesa do estado social, na defesa do sistema nacional de saúde e da educação. Com perspectivas de crescimento, onde o investimento público estará em consonância com o investimento privado. Na defesa de mais e melhor função pública. Na aposta de um Portugal moderno, na exploração dos nossos grandes potenciais. António José Seguro ouviu também a sociedade, criou o Laboratório de Ideias e Propostas para Portugal e pretende dar a Portugal um Novo Rumo, a Mudança que Portugal necessita com um Pacto de Confiança.

A 28 de Setembro votem Seguro, Portugal merece um Primeiro Ministro assim.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Sídrome da mentira dos ressabiados

Nos últimos dias vi e li dois destacados políticos regionais, que baseiam os seus discursos nas mentiras e na ofensa fácil, sem concretizar as acusações que fazem, apenas com o intuito de denegrir a imagem de todos aqueles que ousam desafiá-los. 

Falo obviamente de José Manuel Coelho e de Gil Canha. 
Comecemos pelo primeiro e pelo partido que representa, o PTP. 

Há tempos, em conversa, um dos principais responsáveis por esse partido dizia-me que nunca seria pelo PTP que a coligação cairia, mas acontece que a cada semana que passa, esse partido ataca a coligação, quer seja o PS, ou mais recentemente o BE.
Um partido, segundo afirmavam, que tinha, como objectivo, deitar abaixo o PSD. Afinal, o seu único objectivo é deitar abaixo quem está no governo. Quer seja regional ou municipal, independentemente de fazer ou não parte desse poder! Se nos momentos de grande tensão no seio da coligação, que levou à renúncia de três vereadores, o PTP esteve bem, apoiou a coligação (pelo menos assim sucedeu nas reuniões do Grupo Municipal Mudança), com algumas exigências é certo, e sei que alguns dos Deputados Municipais, lutaram até ao fim para que houvesse estabilidade.
Passado pouco tempo, e após a demissão da Presidente da Assembleia Municipal (desejo esse que manifestou desde a primeira sessão da Assembleia Municipal, convém que isto se saiba) houve consenso na escolha do candidato a esse cargo, não havendo qualquer objecção por parte dos deputados do PTP. 
Após a primeira sessão da Assembleia Municipal presidida por Rodrigo Trancoso, onde foi apresentado um voto de protesto sobre os Jardins de Santa Luzia, a Deputada Raquel Coelho, aparece junto a esse jardim a reivindicar louros para o seu partido, quando sabiam bem que essa iniciativa partiu de outro partido.
Começa, assim, aqui o primeiro confronto com o Presidente da Assembleia Municipal, Rodrigo Trancoso, que após criticar essa atitude do PTP, num grupo fechado, vimos o líder desse partido colocar, no seu facebook, a fotografia de Rodrigo Trancoso, juntamente com Bruno Ferreira, que acompanhou essa crítica, de pernas para o ar. Uma atitude lamentável, com parceiros de coligação, já que se aproveitou de informação reservada a um grupo restrito de pessoas, num gesto de ressabiamento, faz essa brincadeira de mau gosto.
Passados uns dias, eis que esse mesmo PTP subscreve uma moção de censura ao Presidente da Câmara, a quem, supostamente, deveria de dar apoio na Assembleia Municipal! Quando aparece um artigo de opinião, escrito por meu pai, Duarte Caldeira Ferreira, militante socialista que muito lutou contra o PSD,  a falar sobre a “coligação” formada com essa moção de censura, PSD-PND (Madeira Velha e Madeira Nova) e PTP, eis que, novamente, surge esse mesmo líder partidário, no parlamento regional, a criticar o autor desse artigo, imaginem lá, num debate sobre incêndios! Acusou autor de ter tido negócio com Jaime Ramos! Enfim mais uma mentira de Coelho, que claro não objectiva a acusação, deixando apenas a dúvida no ar! Novamente atitude de ressabiado! 

Ao estilo de José Manuel Coelho, por esta fotografia, posso deduzir que Jardim e Miguel de Sousa andam de braço dado com Coelho, na famosa coligação PSD-PTP (aqui ainda sem PND)


Passemos agora a Gil Canha. 

O ex-vereador sofre também da mesma síndrome de Coelho, ou seja síndrome da mentira dos ressabiados.
Durante a crise da CMF, Gil Canha teceu duras acusações ao Presidente da Câmara, nomeadamente de que estaria feito com os grandes grupos económicos. Numa reunião entre os vereadores antes da demissão e os deputados municipais, questionei o Vereador Gil Canha sobre quais eram os fundamentos e suspeitas para fazer essa acusação. A resposta foi puro silêncio. É muito difícil defender uma mentira. Ia com o discurso ensaiado e quando começa o contraditório, não sabe como responder, pois está habituado a que, no confronto, todos tenham medo dele, calando-se assim! Lamento, Dr. Gil, não me intimida!
Gil Canha também reage ao mesmo artigo de opinião sobre a coligação PSD-PND-PTP (estou à espera da reação de alguém da parte do PSD para completar a “coligação” Madeira Velha/Madeira Nova) e, numa carta de leitor, começa a desbobinar disparates e mentiras de ressabiados. 
Fala no que iria onerar a CMF a mudança das secretárias do gabinete da vereação, pois é Sr. Dr. Gil, essas secretárias foram mudadas e em nada onerou a CMF, dado terem sido escolhidas dos quadros da própria autarquia! E sabe uma coisa, deixou de haver fuga de informação para ex-presidentes da CMF e demais oposição. 
Sobre o já tão falado episódio das taxas sobre a utilização do mercado, novamente o ex-vereador não diz a verdade. A taxa foi paga e, se calhar, ao contrário de muitas outras, até foi paga antecipadamente. Nunca o PS pediu qualquer isenção dessa taxa! 

Já agora, sobre o tacho que refere do filho e da nora, relembro que o filho foi eleito, a nora também fazia parte da lista de candidatos e deu o seu melhor para a vitória de 29 de Setembro, tendo, inclusivamente suspendido o mandato, para entrar a nova equipa, mostrando bem a sua hombridade, se considera que qualquer cargo de eleito é um tacho, então o Sr. é um grande tachista, pois foi vereador durante quatro anos, ainda que curiosamente, sendo, como diz, tão probo e impoluto não tenha ganho, então, sozinho a autarquia…

E enquanto andam com estes jogos de baixo nível, protegem o PSD, o seu novo amigo de coligação, que assim assiste de camarote à ofensa fácil, onde deixou de ser o visado, ficando à espera do tapete vermelho para a Quinta Vigia, estendido pelo PTP e PND




quarta-feira, 30 de julho de 2014

A rasteira de Baltazar

No passado dia 29 de Julho decorreu uma sessão extraordinária da Assembleia Municipal do Funchal em que um dos pontos era debater e aprovar o seguinte:
"Reprovar, repudiar e censurar veemente a referida actuação do Presidente da Câmara Municipal."


Apesar de referir claramente a censura ao Presidente da Câmara Municipal, os Deputados Municipais do PPD/PSD, tentaram a todo o custo evitar que o documento fosse referido como uma moção de censura! 
Além dessa frase, que resumia o sentido da votação, o documento referia logo no primeiro parágrafo que "é competência da Assembleia Municipal acompanhar, fiscalizar e censurar a actividade da Câmara Municipal, do Presidente da Câmara e de qualquer dos seus membros - cfr. artigo 3.º, n.º 3, als. a), c) e h) do Regimento da Câmara Municipal do Funchal."

Vamos lá ver o que dizem as referidas alíneas:

Artigo 3º - Competências

N.º 3 - Competências de apreciação e fiscalização

Alínea a) - Acompanhar e fiscalizar a actividade da Câmara Municpal, dos serviços municipalizados, das empresas locais e de quaisquer outras entidades que integrem o perímetro da administração local

Alínea c) - Apreciar em cada uma das sessões ordinárias, uma informação escrita do Presidente da Câmara acerca das actividades desta bem como da situação financeira do Município, da qual conste toda a documentação referida na alínea y) do nº 1 do art. 35º do RJAL (aprovado pela lei 75/2013 de 12 de Setembro), que deve de ser enviado ao(a) Presidente da Assembleia com a a antecedência mínima de cinco dias sobre a data  do início da sessão para que conste da respectiva ordem do dia

E eis que surge a tal rasteira do primeiro subscritor desta moção. Assinar documentos que lêem apenas na diagonal, sem se dar sequer ao trabalho de saber o que diz cada uma das alíneas, dá nisto!

Alínea h) - Votar moções de censura à Câmara Municipal, em avaliação da acção desenvolvida pela mesma ou por qualquer dos seus membros

Pois é, é clarinho como a água que esta última alínea refere-se a uma moção de censura.

Não tendo sido a perda de tempo que levamos a debater uma moção sem consequências práticas, e que nada tinha a ver com assuntos de interesse para a autarquia, até teria tido a sua graça.

Foi interessante ver a atrapalhação dos Deputados Municipais do PSD a se desfazerem em argumentos, a evitar ao máximo que fosse a votação uma moção de censura que assinaram, rasteirados pelo primeiro subscritor!

Obviamente que não foram apenas os deputados do PSD os rasteirados, os próprios deputados do PND devem ter ficado com o mesmo sentimento, pois um deles abandonou a Assembleia logo no início do debate e o outro absteve-se. 

Quanto aos Deputados do PTP, o que estava presente que subscreveu o documento, optou por sair antes da votação, restando um deputado que não assinou o documento que se absteve.

Bem esteve a CDU que abandonou os trabalhos alegando que não foram eleitos para discutir assuntos que não têm qualquer interesse para o município.

Sendo a base do documento o apoio do cidadão Paulo Cafôfo a um amigo que se candidatava a um órgão de um partido, em que os subscritores consideram que este acto a titulo particular "resultou no envolvimento do Município por ele liderado e da cidade do Funchal em questões do foro interno do Partido Socialista", considero que todos os subscritores do documento, estarão em permanente representação da Assembleia Municipal, sendo que, a partir desse dia, todos os seus actos envolvem a Assembleia Municipal, quer estejam em casa a ver televisão, num restaurante, ou numa pancadaria na rua da Alfândega.

Apenas para concluir que esta moção de censura foi chumbada tendo apenas um voto a favor que foi o do primeiro subscritor.

sábado, 29 de março de 2014

A pimbalhada Albuquerquista

Sem grande vontade, lá fui esta noite a uma discoteca recentemente inaugurada, para um concerto de José Cid.
Um cantor e compositor, que passou a vida num carrossel, cheio de altos e baixos, estando claramente num ponto muito baixo da sua carreira.



Uma pimbalhada corrida, ao som dos seus hit's, entre macacos que gostam de bananas, cabanas junto à praia, favas com chouriço, e outras espécies de músicas mais, remisturadas pelo próprio, dando um ar mais juvenil, irreverente, mas igualmente pimba.

A certa altura, o cantor chama o presidente, e entre tantas ilustres personalidade presente nesse espaço nocturno, não conseguia vislumbrar que presidente chamaria Cid.

Quando dou por mim vejo Miguel Albuquerque no palco (presidente de quê?), agarrado ao microfone, ajudando o pimba na sua odisseia a tentar animar a malta. Velhos hotéis, velhos caquécticos, velhos tentando se auto promover, através de uma plateia seleccionada de personalidades, que procuravam loucamente pelo fotografo para aparecer nas revistas cor de rosa regional. 

Não deixou de ter a sua piada, eram brunistas, jardinistas, albuquerquistas, empreiteiros do regime, entre outros que tentavam de algum modo se divertir, que assim ficaram de queixo caído ao ver tamanha saloiice do ex da Câmara

E como se não bastasse, talvez a agradecer algum jeito do passado, ou a pensar num futuro pimbalhoso, lá foi José Cid gritando e pedindo uma salva de palmas ao "melhor presidente de todas as câmara" (relembro um buraco financeiro de 93 M€) e vivas a Albuquerque.

Voltei para casa cedo, com um sorriso nos lábios, percebendo ao que se sujeita quem não tem mensagem para passar, e que procura através de uma vida social activa passar uma ideia de quem nada tem de conteúdo, mas que quer parecer ser o melhor do mundo.

Enfim episódios interessantes, divertidos, jogos de poder, de um poder em fim de vida, mas que mesmo assim, ainda procura por algum náufrago que através de uma respiração artificial ainda tenta dar um ar de quem ainda está aí para as voltas.





terça-feira, 4 de março de 2014

Discurso na Sessão Solene dos 435 anos da Freguesia de São Martinho


No início do século dezasseis, a Madeira foi assolada pela peste negra. Na altura os madeirenses imploraram a São Martinho, Bispo de Tours que olhasse por eles.
A 23 de Julho de 1537 a vereação do Funchal fez um voto a este Santo para que prontamente desaparecesse a peste. Com este voto, decidem erguer um altar na Sé, com capela perpétua, onde se rezaria uma missa todas as quintas-feiras.
A 3 de Março de 1579, por alvará régio, foi criada a paróquia de São Martinho, estabelecida nessa data, numa fazenda com capela, pertencente a Afonso Anes.
Assim nasce a paróquia de São Martinho, que a partir de 1916, passou a designar-se como Freguesia.
Muitos anos de história, muitos anos de tradições. Uma história que muito nos honra e que queremos preservar na memória de todos os que aqui vivem.
São Martinho é, nos dias de hoje a freguesia da Região, com maior número de eleitores, sendo praticamente todo o seu território urbano. A sua população triplicou nos últimos 30 anos. O seu território está dividido em vários sítios, sendo alguns deles muito distintos. A sul, com o mar a banhar a nossa costa, foi o local escolhido para a construção dos grandes hotéis, os complexos balneares e onde muitos madeirenses e não só, escolheram para construir as suas casas e comprar os seus apartamentos. Sem dúvida uma das zonas do Funchal mais urbanas. Destaco também a mais formosa das nossas praias, que por erros do passado, artificializando a natureza com a ligação ao ilhéu aí existente, alterou a dinâmica da praia, fazendo-a recuar estando parte dela sem calhau. É necessário emendar este erro. Não se pode acabar com um dos poucos locais gratuitos, onde os funchalenses podem ir a banhos.
Para oeste temos as casas mais isoladas, as grandes plantações de banana, fazendo com que esta freguesia seja a maior produtora na região, deste fruto tão apreciado.
Pela sua orografia e por ser uma zona de expansão, foi também o local escolhido para implantar o grande bairro social da Nazaré. Uma grande obra social, bem desenhado urbanisticamente, mas infelizmente, muito esquecido por quem tutela a habitação social ao nível regional.
É aqui em São Martinho que os turistas têm o seu primeiro contacto com uma levada, a levada dos Piornais. Um percurso pedonal, que precisa de alguma reabilitação, mas que constitui um grande atractivo. Há que reabilitá-la e sinalizá-la.

Uma das características desta freguesia, são os seus picos e um deles, poderá ter dado o nome à nossa cidade, pois aí existia funcho em abundância, sendo por isso mesmo o Pico Funcho.
As Freguesias são a primeira porta disponível para os cidadãos, aquela porta que muitos recorrem nos momentos de aflição, momentos de verdadeira dor, muitas vezes à procura de uma solução para o seu problema, para as suas dúvidas. Outros apenas batem à nossa porta para que alguém ouça a sua voz. Por vezes à procura de uma palavra de conforto. As pessoas querem ser ouvidas e cá estamos nós para ouvi-las, para pensar nos seus problemas, para procurar soluções, ou então para encaminhar para quem pode solucionar. Nessa porta estou cá eu para receber as pessoas. É comigo que falam, sou eu que dou a cara por elas, não me escondo num gabinete qualquer.
É esse o grande e nobre trabalho de proximidade que uma Junta de Freguesia deve prestar.
Há pouco mais de 4 meses, quando aqui chegamos, deparamo-nos com uma casa aparentemente arrumada, mas com graves problemas. Essencialmente financeiros. Além desses problemas verificamos que encontrava-se num estado de letargia. Houve a preocupação tão típica do regime que ainda persiste, com a obra pública, pagando-se por vezes valores exorbitantes por pequenas obras. Eram feitos uns passeios sociais e entregavam cabazes no natal. Alguns apoios às escolas e pouco mais era feito. Esta Junta pouco olhava por aqueles que sofrem diariamente com as dificuldades geradas por uma crise sem precedentes que se abateu sob a Europa, agravada na Madeira pela falta de visão do governo regional.
Os tempos são de Mudança, são tempos de esperança. Vamos olhar pelas pessoas. Vamos apoiar aqueles que têm sido esquecidos pelo regime. É por isso que estamos a implementar o nosso programa, um programa com um verdadeiro cariz social.

Há fome em São Martinho, há pessoas que vivem em condições desumanas. Já este ano, estive na casa de uma senhora, com 86 anos, que não tem luz eléctrica! Não podemos ficar indiferentes a estes dramas e por isso, vamos apresentar aqui na Assembleia de Freguesia regulamentos, para que não haja dúvidas sobre quem vamos apoiar e como vamos apoiar. Queremos transparência. Vamos apoiar as famílias ao nível alimentar e ao nível habitacional. Neste âmbito, seremos também a voz da Câmara Municipal do Funchal, na divulgação dos programas sociais, tais como Câmara à Porta, Ajuda nos medicamentos e Fundo Social de Emergência.
Apoiaremos aqueles que pensam na Freguesia, que desenvolvem projectos para a freguesia, seja na área social, do desporto, das artes, e acima de tudo do voluntariado.
Vamos olhar pelos nossos jovens. Vamos às escolas, recebemos as crianças. Ainda ontem decorreu um torneio de futebol no campo de São Martinho, outros mais faremos ao longo do ano. Estamos a preparar apoios aos clubes da freguesia, que numa vertente social, assim ponham os nossos jovens a praticar desporto, a afugentá-los dos perigos que espreitam quando acabam a meninice e se tornam adolescentes. Temos de manter os nossos jovens ocupados, com bons hábitos e acima de tudo com amor-próprio. Faremos a festa do desporto em Junho, onde queremos que haja uma grande participação em diferentes desportos.
Vamos recuperar tradições, festas de antes, que foram esquecidas. Vamos recuperar o Festival de Folclore. Em Setembro próximo, sem megalomanias, faremos dessa festa, a festa das tradições da nossa terra.
E porque não podemos nos esquecer de quem nos visita, em Maio haverá um evento gastronómico nos jardins panorâmicos. A festa da nossa gastronomia, dos sabores da Madeira. Contamos com a participação dos nossos hoteleiros. Uma iniciativa inédita na cidade, que julgamos que passará a fazer parte dos eventos anuais da nossa cidade.
Iniciamos os mercados locais. Começamos aqui. Aqui mesmo à porta, mas outros locais poderão surgir. Mais uma forma de apoiar quem precisa. Não só quem vende, que assim consegue um complemento para satisfazer as suas necessidades, assim como para que compra, pois conseguem adquirir produtos a preços convidativos.
Queremos também uma maior proximidade aos cidadãos. Para isso serão implementados os orçamentos participativos. Um processo que envolverá todos os que quiserem participar. Um processo de participação política e cívica.

A modernização faz também parte dos nossos horizontes. Iniciaremos dentro de em breve estudos para implementação da autarquia digital. Acabar com o papel, simplificar operações, respostas imediatas. Não será fácil, mas lá chegaremos.
Para contribuir para toda esta nossa actividade, reduzimos custos. Investimos na eficiência energética. Um esforço agora, que muito em breve dará os seus lucros. Revimos contratos e eliminamos desperdício.
Contamos também com o apoio do tecido empresarial da fr
eguesia. Foi exemplo disso o apoio que muitas empresas deram no natal, contribuindo com donativos para que os mais carenciados tivessem um pouco mais de alegria nessa quadra tão marcante para a sociedade madeirense. Obrigado. Sei que não é fácil nestes momentos de crise e por isso sei que muitos fizeram um esforço para esse contributo. Mais uma vez, obrigado.
Queremos que este ano seja o verdadeiro arranque. Tornar a Freguesia de São Martinho mais dinâmica. Não aceito que pela sua dimensão, pelas suas qualidades e pelas suas pessoas que São Martinho vá a reboque de outros. Temos de ser um exemplo a seguir.
É precisamente pelo exemplo a seguir, que decidimos homenagear quem não fica de braços cruzados, quem fez e faz pela freguesia. Que levam o nosso nome mais além. É com muita honra que homenageamos 4 personalidades da freguesia nas áreas das artes, do desporto e da religião, pois tendo ou não fé, ninguém pode ficar indiferente ao papel da igreja na nossa sociedade. São homenageadas também duas empresas que com a sua visão, geram emprego, geram riqueza, geram prosperidade.
Ângelo Gomes
José António Gonçalves
Cónego Dias
Padre Sumares
Grupo Pestana
Grupo Porto Bay

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Ao encontro dos cidadãos

"Olhar pelas pessoas" Um lema, um pensamento, uma atitude, UMA REALIDADE.

Todos nós temos o dever de participar activamente nos destinos do nosso país, da nossa região e das nossas cidades e, na Madeira, o Funchal vai ao encontro desse dever. O direito e dever que julgávamos que se limitava ao dia das eleições através do voto, foi finalmente alargado.
No passado sábado houve a primeira conferência sobre os orçamentos participativos. Uma grande iniciativa, um compromisso da Coligação Mudança. O processo foi iniciado e qualquer cidadão poderá propor investimentos para a cidade, que posteriormente terá de defender e submeter a uma votação. Os projectos vencedores serão implementados pela Câmara Municipal do Funchal. Isto sim, é participação nas decisões da nossa cidade.

Hoje foi anunciado um passo atrás na revisão do PDM para a cidade, e que passo atrás!

"ainda não está definida uma visão estratégica para a cidade, que integre os contributos dos cidadãos"

" Era necessário haver um debate prévio sobre a ideia que queremos para a cidade e esta é uma oportunidade que temos para discutir a cidade fora de um período eleitoral, com toda a tranquilidade e chamando a sociedade civil, porque um PDM não pode ser feito dentro dos gabinetes ou da Câmara.

"O PDM tem que ser aberto a toda a sociedade e nós queremos que haja essa intervenção das forças vivas, antes da proposta estar fechada e toda formalizada”, justificou o autarca funchalense, que não quer “cometer erros do passado”."

Uma nova maneira de encarar a política, de um modo que a maior partes dos madeirenses nem sabiam que era possível! Sim, é possível. Não podemos delegar ou aceitar que todas as decisões sejam tomadas por uma única pessoa.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Défice democrático, uma questão permanente

Passados muitos anos sobre o primeiro despontar do défice democrático na Região Autónoma da Madeira, após muito debate, quando julgávamos que Alberto João Jardim teria nesta fase as baterias voltadas para dentro do seu próprio partido, eis que volta à carga, recuperando a máxima do passado, com "nem um tostão para Machico"


Desta vez, recusou determinantemente ajudar a freguesia do Porto da Cruz, fustigada após o temporal de 29 de Novembro. Uma freguesia devassada, com todas as estradas danificadas, escorrimentos de terra por todo o lado e com habitações destruídas.
Tem-se falado que o governo deverá ser solidário com o Porto da Cruz. Não posso concordar com esta afirmação. É DEVER do governo olhar por todos os madeirenses e por todas as suas localidades. Não podemos permitir que Jardim arrecade impostos na ilha toda, mas na hora de distribuir, olhe apenas para os concelhos da ponta oeste.  

“Aquilo que é da responsabilidade do Governo, o Governo vai fazer. Aquilo que é da responsabilidade da Câmara e da Junta de Freguesia, o Governo não se mete. Até para dar cumprimento ao voto democrático dos cidadãos”
Alberto João Jardim, Diário de Notícias, 11/02/2014

Mais uma vez digo BASTA! Onde anda o Presidente da República? Que está ele a fazer em Belém? 
Dizem os PSD's que na Madeira há democracia. As pessoas votam e o voto é secreto. Mas estas atitudes de quem foi eleito para governar TODA a região são próprias de uma região que se diz democrata?

Quanto ao delfinário do PSD-M, não se ouviu uma única palavra dos candidatos a únicos importantes uma única palavra sobre esta situação.

De Miguel Albuquerque nem uma palavra

Sérgio Marques Idem

Manuel António nada disse

Miguel de Sousa está à espera não sei do quê

Cunha e Silva disse, confirmou que nada há para o Porto da Cruz

Francisco Santos, aguardamos por mais uma crónica a ver o que diz, julgo que sobre este assunto nada dirá

 Quanto à Autonomia XXI de Jaime Filipe Ramos, como seria de esperar, de século 21 nada tem

E são estes os senhores que no passado sempre aplaudiram Jardim, sempre foram cúmplices e sempre permitiram o esmagamento de todos os que sempre se opuseram ao Jardinismo. Sempre coniventes com o ostracizar. Sempre atentos, prontos para tirar o tapete aos que pensam de maneira diferente.
Afirmam-se agora como uma nova lufada de ar fresco, mas quando existem situações concretas, como a que agora assistimos, CALAM-SE. Nada dizem, nada fazem. Fazem o que sempre fizeram, abanam a cabeça ao seu grande chefe, aquele que ainda é considerado por muitos como o único importante. Aspiram o seu lugar, dizem-se diferentes, numa época em que sabem bem que têm de mostrar que não são iguais, mas quando se fala em tomar uma posição sobre as pessoas, mostram bem qual é o sangue que corre nas suas veias. 

Hoje enviei uma carta ao Presidente da República a mostrar a minha indignação e a pedir que tome uma posição sobre a Região Autónoma da Madeira. Desafia todos a fazerem o mesmo. É importante chamar novamente a atenção para o défice democrático da região.
Vão ao seguinte link e vamos inundar a caixa de correio da presidência

http://www.presidencia.pt/?action=3